Elaine Castelo Branco

“Inspirar, servir e transformar — meu caminho, minha missão.”

Textos

Clubes Familiares e o Desafio da Renovação em Lions Internacional
Clubes Familiares e o Desafio da Renovação em Lions Internacional

Por Elaine Castelo Branco
Voluntária de Lions Internacional, especialista em Liderança Servidora

“O verdadeiro líder cria líderes, não seguidores.”
— John C. Maxwell

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Resumo

Este artigo analisa o fenômeno dos clubes familiares dentro do Lions Internacional, destacando seus aspectos positivos — como a união e o engajamento afetivo — e os riscos que emergem quando a gestão se concentra em um mesmo grupo familiar por longos períodos.
A autora reflete sobre como essa prática, ainda que bem-intencionada, pode limitar a formação de novas lideranças e comprometer a diversidade que sustenta a vitalidade do movimento leonístico.
Sob a perspectiva da liderança servidora, propõe-se uma reflexão sobre o equilíbrio entre o espírito de família e o espírito de comunidade, defendendo a alternância de funções, o incentivo à participação e a confiança na sucessão como instrumentos de fortalecimento institucional e humano.

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Abstract

This article analyzes the phenomenon of family clubs within Lions International, highlighting their positive aspects — such as unity and affective engagement — and the risks that can emerge when management is concentrated in the same family group for long periods.
The author reflects on how this practice, although well-intentioned, can limit the formation of new leaders and compromise the diversity that sustains the vitality of the Lions movement.
From a servant leadership approach, the text proposes a reflection on the balance between the spirit of family and the spirit of community, advocating for the alternation of roles, the encouragement of participation, and trust in succession as instruments for institutional and human strengthening.

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Palavras-chave
Clubes familiares; Diversidade e inclusão; Liderança servidora; Lions Internacional; Missão 1.5; Renovação de lideranças.

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Introdução

Toda organização voluntária, para permanecer viva e relevante, precisa se reinventar sem perder sua essência.
No Lions Internacional, essa reinvenção ocorre por meio da formação e da renovação de lideranças — um processo contínuo que garante a vitalidade dos clubes e a longevidade de sua missão.

Ao longo do tempo, a experiência leonística mostra que o sucesso de um clube não depende apenas da dedicação de seus dirigentes, mas da capacidade de compartilhar responsabilidades, valorizar novos talentos e promover a alternância de funções.
Por outro lado, quando a gestão se torna concentrada — seja por excesso de zelo ou pela repetição de sobrenomes —, o que nasce como união pode, inadvertidamente, transformar-se em limitação.

É nesse contexto que surge a necessidade de refletir sobre os chamados clubes familiares: uma configuração cada vez mais presente e que, embora nasça do amor ao servir, exige atenção para que não comprometa o princípio fundamental do movimento leonístico — a formação de líderes a partir da diversidade, da confiança e do aprendizado coletivo.

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1. Renovar é preservar a essência do servir

Nos espaços de convivência leonística, é comum ouvirmos reflexões sobre a importância da renovação de lideranças e sobre os riscos da excessiva concentração de poder dentro de um mesmo grupo.
Muito já se falou sobre os chamados “donos de clube”, aqueles que, movidos por zelo e compromisso, acabam permanecendo longos períodos nas funções diretivas.
Em muitos casos, trata-se de pessoas extremamente dedicadas, que desejam manter viva a chama do servir. No entanto, quando o mesmo grupo permanece por tempo demais no comando, é natural que o ciclo de aprendizado e renovação se enfraqueça.

Mais recentemente, tem-se observado um fenômeno mais sutil, que também merece atenção e reflexão cuidadosa: o dos clubes familiares, ou daqueles que gradualmente assumem essa configuração.
À primeira vista, trata-se de uma estrutura acolhedora — pais, filhos, cônjuges e parentes próximos reunidos em torno da causa do servir. Essa composição, em muitos casos, nasce do entusiasmo, da afinidade e do desejo genuíno de colaborar com o movimento.

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2. O valor da família e o risco da repetição

O espírito familiar é, sem dúvida, uma das maiores belezas do voluntariado.
A união em torno de valores solidários, a partilha de ideais e o exemplo intergeracional são forças poderosas.
Contudo, é importante lembrar que a essência da liderança servidora é multiplicar oportunidades, e não apenas reproduzir estruturas.

Quando a gestão se mantém concentrada nas mesmas pessoas e sobrenomes, o clube corre o risco de se tornar menos inclusivo, ainda que involuntariamente.
O espírito de família é valioso, mas precisa caminhar lado a lado com o espírito de comunidade — aquele que acolhe, ensina e prepara outros para também liderarem.

“A verdadeira herança de um líder não está em ver o seu nome repetido nos cargos, mas em ver novas pessoas florescendo a partir de sua inspiração.”
— Elaine Castelo Branco

A continuidade é saudável quando vem acompanhada de diversidade e de novas vozes participando das decisões.

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3. Diversidade: a alma de um clube vivo

A vitalidade de um clube leonístico depende da diversidade de ideias, experiências e estilos de liderança.
Quando os principais cargos de direção — presidência, secretaria, tesouraria — permanecem restritos a um mesmo grupo familiar, ainda que por boa vontade, o fluxo natural de aprendizado, delegação e sucessão pode se enfraquecer.

Clubes saudáveis são aqueles que cultivam o diálogo, a inclusão e a alternância de funções.
Esses valores não apenas fortalecem o grupo, mas também refletem o verdadeiro espírito do Lions: o de uma organização que se renova para continuar servindo, com integridade e entusiasmo, às comunidades que dela dependem.

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4. Liderança que inspira e desenvolve

A liderança saudável é essencialmente inclusiva.
Ela não se consolida pela repetição de nomes, mas pela capacidade de inspirar, ouvir e desenvolver novos talentos.
Cada dirigente tem, portanto, a missão de refletir: estamos oferecendo espaço para que outros possam aprender, crescer e assumir responsabilidades?

A liderança servidora é, antes de tudo, uma liderança que confia e delega — que enxerga no outro o potencial de continuar o trabalho e fazê-lo prosperar.
Treinar, orientar, incentivar e abrir espaço são atos de generosidade que fortalecem o legado de qualquer dirigente.
Liderar, afinal, é preparar o clube para continuar servindo mesmo quando não estivermos mais à frente.

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5. Missão 1.5: ampliar, incluir e renovar

O Lions Internacional nasceu com a missão de unir pessoas de diferentes origens e trajetórias em torno do ideal de servir com empatia, ética e propósito.
Para que essa missão siga viva e forte, é fundamental que cada clube cultive a alternância, o diálogo e o compromisso com a formação contínua de lideranças.

A Missão 1.5, lançada para impulsionar o crescimento e a renovação do movimento, reforça esse compromisso.
Ela nos convida a ampliar o alcance do Lions, trazendo novas gerações, novos olhares e novas energias.
Cumprir essa meta exige coragem para abrir espaço, delegar responsabilidades e confiar no potencial de cada novo companheiro e companheira que chega com vontade de contribuir.

“Renovar não é perder o controle — é fortalecer o futuro.”
— Elaine Castelo Branco

Cada novo líder representa uma semente do mesmo propósito, plantada em solo fértil de serviço e fraternidade.

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6. Servir é também saber passar o bastão

Em suma, a liderança em Lions não é um título nem uma herança — é um ato contínuo de serviço.
Ela floresce na medida em que se compartilha, e se fortalece quando se multiplica.
Clubes que compreendem isso fortalecem não apenas sua estrutura, mas também a essência do movimento leonístico: servir com generosidade, formar com humildade e liderar com o coração aberto.

Ao abrir espaço para o novo, o clube não perde sua identidade — ele a amplia.
E é justamente nessa capacidade de transformar o servir em oportunidade de crescimento mútuo que reside a grandeza do Lions Internacional.

“Liderar é preparar o outro para continuar a caminhada.”
— Elaine Castelo Branco

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Referências bibliográficas
• CHIAVENATO, I. Gerenciando com as pessoas: transformando o executivo em um excelente gestor de pessoas: um guia para o executivo aprender a lidar com sua equipe de trabalho. Rio de Janeiro: Elsevier – Ed. Campus, 2005.
• CHIAVENATO, Idalberto. Liderança e comportamento organizacional. São Paulo: Saraiva, 2003.
• COVEY, Stephen R. Os 7 hábitos das pessoas muito eficazes. Rio de Janeiro: Record, 1989.
• GOLEMAN, Daniel; BOYATZIS, Richard; MCKEE, Annie. O líder ressonante cria mais. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
• HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.
• LIONS CLUBS INTERNATIONAL. Mission 1.5 — Expanding Our Reach. Chicago: LCI, 2022.
• MAXWELL, John C. As 21 irrefutáveis leis da liderança. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007.
• SINEK, Simon. Comece pelo porquê: como grandes líderes inspiram ação. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 05/11/2025


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