

đ€ïž Entre o cafĂ© e o recomeçoO dia amanheceu tĂmido, como quem pede licença para entrar. A luz atravessava as frestas da janela e dançava sobre a mesa, onde o cafĂ© ainda fumegava. Havia algo de sagrado naquele instante silencioso â um convite para a pausa, para o respirar fundo, para a delicadeza do existir.  Enquanto mexia o açĂșcar na xĂcara, percebi que a vida Ă© isso: pequenas misturas. Um pouco de doçura, um tanto de amargor. Ăs vezes, o gosto muda dependendo do tempo que a gente deixa repousar.  Lembrei-me de quantas vezes jĂĄ recomecei â e de como o recomeço sempre chega disfarçado: numa conversa inesperada, numa brisa leve que toca o rosto, ou atĂ© num simples gole de cafĂ© tomado sem pressa.  O mundo anda apressado demais, mas o coração pede calmaria. Quer menos barulho e mais sentido. Menos rotina e mais encantamento.  Foi entĂŁo que entendi: viver bem nĂŁo Ă© ter tudo no lugar, mas aprender a dançar com o que falta. Ă sorrir mesmo sem motivo, Ă© agradecer mesmo sem entender, Ă© seguir mesmo quando o caminho ainda nĂŁo se revelou inteiro.  E, enquanto o cafĂ© esfriava, senti que dentro de mim algo aquecia â uma vontade nova de seguir, de olhar com ternura para o que foi, e esperança para o que virĂĄ.  Porque todo amanhecer Ă© uma chance de recomeçar. Com leveza. Com fĂ©. Com amor. âïž ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 13/11/2025
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