

🌙 Quando o Silêncio Desenha EstrelasCrônica poética sobre um gesto que virou luz
Aquela terça-feira já trazia em si um encanto silencioso — desses que a gente só percebe quando o coração presta atenção. E nesse cenário de brilho contido, onde A Menina das Estrelas finalmente ganhava o mundo, um momento nasceu para ficar guardado na minha memória mais bonita.
Esse momento tinha rosto, tinha alma, tinha verdade. E tinha nome: Lucas Quaresma.
Lucas, o artista que deu vida visual à minha Menina das Estrelas, chegou com a suavidade de quem enxerga o mundo pelas frestas mais poéticas. Seus olhos pareciam conversar com tudo ao redor — com as pessoas, com o silêncio, com as cores, com o próprio universo que ele carrega dentro de si.
Em suas mãos, o livro não era livro. Era céu.
E então, num gesto que para muitos pareceria simples, mas que para quem compreende a sensibilidade do TEA é um verdadeiro ato de coragem, Lucas caminhou até a frente para ler o seu discurso.
Não havia palco. Não havia pompa. Havia verdade. Havia presença. Havia um coração derramando luz.
A voz dele — firme, doce, cuidadosamente construída — cortou o silêncio da sala como uma estrela atravessa a noite. Não era só um discurso. Era um manifesto de sensibilidade. Era a alma dele conversando com todas as outras almas presentes.
E foi impossível não sentir.
A cada palavra que ele lia, eu reconhecia no timbre, no ritmo e na entrega o mesmo cuidado que ele dedicou às ilustrações do livro. Porque Lucas não desenha só com traços. Ele desenha com emoção. Desenha com percepção. Desenha com uma forma de sentir que o mundo precisa aprender a enxergar.
E ali, diante de todos nós, ele provou algo precioso: cada estrela brilha do seu próprio jeito — e o brilho dele é raro, forte e absolutamente autêntico.
Quem convive com o TEA sabe que falar em público é muito mais do que falar em público. É atravessar um universo interno cheio de desafios invisíveis. É vencer barreiras que muitos nem imaginam. É se despir de proteção para se apresentar ao mundo.
E Lucas fez isso. Fez com coragem. Fez com sensibilidade. Fez com a pureza de quem sabe que a verdade é, sempre, o caminho mais bonito.
Enquanto ele lia, eu senti algo se encaixar dentro de mim — como se o livro tivesse encontrado, enfim, não apenas um ilustrador, mas um guardião. Alguém que o compreende em profundidade. Alguém que o sente de dentro para fora.
Obrigada, Lucas, por iluminar aquele lançamento com a sua voz, o seu olhar e o seu talento. Obrigada por existir desse jeito tão único, tão especial e tão necessário.
Naquela noite, você não apenas deu vida às imagens. Você deu vida à emoção de todos nós.
E eu — autora, mulher e alma — saí de lá sabendo que algumas estrelas não estão no céu. Estão na gente. E você é uma delas.
Elaine Castelo Branco Autora de A Menina das Estrelas
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 29/11/2025
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