

O dia em que o universo resolveu me testar
Acordei decidida a ter um dia exemplar. Sabe aquele tipo de manhã em que você respira fundo e diz: “Hoje ninguém me tira do eixo”? Pois é. O universo ouviu — e riu. Alto.
A primeira prova veio do despertador, que tocou antes da hora. Juro que ouvi ele dizer: “Vamos ver até onde vai tua calma zen”. Desliguei com serenidade… e tropecei no chinelo, que aparentemente tinha vida própria e decidiu se colocar no caminho só para participar da brincadeira cósmica.
Segui para o café. Abri a geladeira e descobri que o leite tinha vencido — não ontem, mas no século passado. Fiz café puro, com aquele sabor de “aceite o que a vida lhe dá”. Na primeira golada, derramei metade na blusa branca. A blusa branca sempre sabe quando é dia de provar minha maturidade emocional.
No caminho para o trabalho, um carro resolveu frear do nada. Talvez estivesse admirando o céu. Talvez estivesse testando meus reflexos. Talvez fosse só segunda-feira sendo segunda-feira. O importante é que meu coração foi de 0 a 200 mais rápido que qualquer Ferrari.
Cheguei enfim ao destino, vitoriosa. Respirei fundo. Sorri. Sentei. Liguei o computador… que travou. Não qualquer travamento. O travamento ancestral, aquele que vem de gerações de computadores lentos e diz: “Você não manda em nada aqui”.
E foi aí que eu entendi: o universo não estava me testando. Ele estava me lembrando, com seu senso de humor peculiar, que às vezes rir é o único jeito de continuar funcionando — diferentemente do meu computador.
No fim das contas, sobrevivi. E ainda ganhei uma boa história para contar. Porque se a vida insiste em me provocar, eu insisto em transformar tudo em crônica. E de preferência, com humor — já que café sem leite e computador travado não têm graça nenhuma.
— Elaine Castelo Branco. ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 02/12/2025
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