

🌪️ Crônica: “O dia em que fui fazer uma coisa… e fiz 27” 📚✨
Eu só queria guardar uma xícara. Só isso. Peguei a xícara na mão e, antes de chegar à cozinha, notei que a planta da sala estava meio caída. Fui pegar água para regar. A água caiu no chão. Fui pegar o pano. O pano estava no quarto. Cheguei no quarto e vi a roupa por dobrar. Comecei a dobrar. Encontrei uma blusa que não vejo desde 2018. Suspirei com nostalgia. Resolvi experimentar. Ficou ótima. Tirei foto. Lembrei que precisava mandar mensagem para alguém. Abri o celular. Esqueci o quê.
E a xícara? A xícara estava na minha mão o tempo todo, fazendo papel de espectadora silenciosa do caos.
Com o TDAH, a vida é assim: cada tarefa é uma porta secreta para outra tarefa, e outra, e outra… como se o mundo fosse feito de trilhas paralelas e o cérebro escolhesse sempre a mais colorida — e menos lógica.
Tem dias em que me acho um navegador sem bússola. Outros, uma inventora de caminhos. Há também aqueles momentos gloriosos em que tudo encaixa: o hiperfoco aparece, o relógio some, e eu faço em uma hora o que o universo inteiro duvidava. Quando esse milagre acontece, eu mesma fico impressionada: “Nossa, funcionou!”
E a verdade é que, apesar do tropeço constante entre distrações, existe uma beleza secreta nesse modo de existir. O TDAH dá ritmo, dá cor, dá histórias. Me faz enxergar o que outros passam batido, me faz rir das minhas próprias trapalhadas, me faz encontrar poesia em qualquer bagunça.
No fim do dia, coloco a xícara — finalmente — no armário. E penso: “Demorou, mas ela chegou. E eu também.”
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 03/12/2025
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