Elaine Castelo Branco

“Inspirar, servir e transformar — meu caminho, minha missão.”

Textos

Crônica do celular que resolveu brincar de esconde-esconde

Hoje, mais uma vez, vivi aquelas histórias hilariantes — e desesperadoras — de perdas repentinas. Daquelas que só quem convive com o TDAH entende de verdade.

Eu havia saído tranquila do trabalho. Último dia antes do recesso forense. Sensação de dever cumprido, cabeça já ensaiando o descanso. Celular estrategicamente apoiado na perna, cumprindo sua nobre missão de controlar o GPS.

De repente, ele voa. Some. Desaparece como se tivesse criado pernas próprias.

O rumo se perde junto com o celular. Aproveito o primeiro momento e local minimamente seguros para parar. Um posto de gasolina surge como refúgio. Estaciono, desço do carro e reviro tudo: bancos, tapetes, bolsa, chão. Nada.

Chamo o frentista. Dois pares de olhos atentos, mãos vasculhando cada canto visível. Nada. Tentamos ligar para o número. Silêncio absoluto. O desespero começa a ganhar forma de frustração. Aquela sensação conhecida de “como isso é possível?”.

Desisto. Entro no carro decepcionada, já ensaiando o discurso interno de reprovação, quando, ao abrir a porta, ele aparece. Lá estava o celular. Paradinho. Quieto. Disfarçado. Escondido no bolsão da porta do motorista, como quem diz: “Calma, eu nunca fui embora”.

Ri sozinha. Um riso meio aliviado, meio resignado. Porque, no fim, essas pequenas tragédias cotidianas também viram histórias. Histórias que cansam, mas também humanizam. E que, quando passam, nos lembram que, apesar do caos momentâneo, tudo — ou quase tudo — acaba sendo encontrado.

Elaine Castelo Branco
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 19/12/2025


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