

Cuidar de si não é egoísmo: Quando a mulher aprende a se colocar no próprio colo
Durante muito tempo, ensinaram às mulheres que amar é se doar até o limite. Que cuidar é esquecer de si. Que ser forte é aguentar calada. E, assim, muitas de nós crescemos acreditando que olhar para dentro era um luxo — quando, na verdade, é uma necessidade. Cuidar de si não é egoísmo. É sobrevivência emocional. É responsabilidade afetiva consigo mesma. Há mulheres que passam a vida inteira acolhendo o mundo, mas nunca aprendem a se acolher. Estão sempre disponíveis, sempre prontas, sempre firmes — até o dia em que o corpo cansa, o coração silencia e a alma pede colo. E quem disse que esse colo não pode ser o seu próprio? Colocar-se no próprio colo é um ato de maturidade. É reconhecer limites sem culpa. É aprender a dizer “agora não” sem se sentir menos generosa. É compreender que não há amor saudável quando ele começa pelo abandono de si. A mulher que aprende a se cuidar não se afasta do mundo — ela se fortalece para estar nele com mais verdade. Não se torna fria; torna-se inteira. Não perde a ternura; ganha clareza. Não se fecha; se protege. Cuidar de si é dormir quando o corpo pede descanso. É silenciar quando a alma precisa respirar. É escolher relações que nutrem, não que drenam. É aceitar que nem tudo depende de você — e tudo bem. Quando uma mulher se coloca no próprio colo, ela deixa de mendigar afeto, respeito e reconhecimento. Entende que não precisa provar seu valor através do cansaço. Floresce não pela exaustão, mas pelo equilíbrio. Que você se permita esse gesto simples e profundo: cuidar de si com o mesmo amor que sempre ofereceu ao mundo. Porque você também merece abrigo. ⸻ ✍️ Elaine Nogueira Leão, promotora de Justiça, escritora e palestrante. Mulher com deficiência que aprendeu a transformar desafios em escuta, palavra e propósito. Acredita no cuidado como força, na sensibilidade como coragem e na escrita como um gesto de acolhimento. Dedica-se a refletir sobre autoconhecimento, propósito e desenvolvimento humano, especialmente a partir do olhar feminino, convidando cada leitora a florescer no próprio tempo.
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 12/01/2026
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