

Crônicas de TDAH Ou: A cabeça não desliga, ela só muda de assunto
Dizem que o normal é ter uma linha de pensamento. Eu tenho um grupo de pensamentos. Um fala de trabalho. Outro fala de um projeto social. Outro lembra um e-mail que esqueci de responder. Outro quer mudar o mundo. Outro quer dormir. E outro quer comer alguma coisa sem saber o quê. Tudo ao mesmo tempo. Tudo agora. Tudo urgente. Quem tem TDAH não tem silêncio mental. Tem uma reunião permanente dentro da cabeça e ninguém nunca definiu quem é o presidente. O mais curioso é que a gente cansa… sem ter corrido. A gente se sobrecarrega… sem ter saído do lugar. A gente se cobra… por coisas que ninguém viu, mas a nossa cabeça viu, pensou, criou, imaginou e tentou resolver. Viver com TDAH é viver com um motor potente e um freio sensível. Ou você está a 200 por hora… ou você está parado, olhando para tudo sem conseguir começar. Mas tem uma coisa que eu aprendi a gostar na mente TDAH: Ela não é uma mente comum. Ela é uma mente que imagina, cria, conecta, se importa, inventa caminho onde não tem estrada. Talvez o mundo chame de distração. Mas muitas vezes é só a mente tentando abraçar o mundo inteiro ao mesmo tempo. E isso cansa. Mas também é o que faz a gente transformar ideia em projeto, projeto em ação e ação em propósito. No meio do caos, a mente TDAH também constrói coisas bonitas. Só que do jeito dela. No tempo dela. Com o método caótico dela. E está tudo bem. Elaine Castelo Branco Promotora de Justiça e escritora
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 21/03/2026
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