

Crônicas de TDAH: A arte de começar tudo ao mesmo tempo
Crônicas de TDAH: A arte de começar tudo ao mesmo tempo
Viver com TDAH é viver em modo “várias abas abertas”. A pessoa com TDAH não tem uma linha de raciocínio. Tem uma teia. Ela começa arrumando a mesa, aí acha uma foto antiga, aí lembra de uma pessoa, aí manda uma mensagem, aí pega o celular para ver a agenda, aí lembra de um projeto, aí começa a escrever uma ideia, aí esquece o café, aí o café esfria, aí ela faz outro café, e esquece onde colocou o primeiro. Quem vê de fora acha que é desorganização. Mas não é. É excesso de pensamento. É uma mente que funciona por associação, não por linha reta. É como se o cérebro dissesse o tempo todo: “Já que você está aqui, vamos pensar em mais 17 coisas?” O problema não é falta de atenção. É atenção demais em tudo ao mesmo tempo. A pessoa com TDAH não vive devagar. Ela vive em velocidade de pensamento. Por isso cansa. Por isso às vezes para. Por isso às vezes parece que não fez nada, quando, na verdade, fez mil coisas — só que metade ficou pela metade. Mas tem uma coisa que quase ninguém fala: A mente do TDAH é criativa, intuitiva, sensível, observadora, e tem uma capacidade absurda de resolver problemas, porque ela pensa fora da ordem. O mundo cobra linha reta. Mas algumas mentes foram feitas para caminhos tortos. E tudo bem. Porque, às vezes, são justamente os caminhos tortos que levam para lugares que ninguém tinha pensado antes.
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 23/03/2026
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