

A Árvore e as Pedras
A Árvore e as Pedras
Havia, no alto de uma colina, uma grande árvore frondosa. Forte, serena e silenciosa, ela oferecia sombra aos viajantes, abrigo aos pássaros e descanso aos cansados. Mas nem todos gostavam dela. Ao lado da colina vivia um homem que passava os dias atirando pedras na árvore. Dizia que ela ocupava espaço demais, que sua sombra incomodava e que seus galhos chamavam atenção excessiva. Com o tempo, aquilo virou rotina. Todas as manhãs, ele recolhia pedras. Todas as tardes, arremessava contra o tronco. E todas as noites voltava para casa acreditando ter vencido mais uma batalha. A árvore, porém, permanecia ali. Em silêncio. Até que um dia veio uma tempestade muito forte. Os ventos foram intensos, e, ao amanhecer, a árvore já não estava mais na colina. Alguns disseram que ela havia caído. Outros disseram que simplesmente fora levada pelo tempo para outro lugar. Naquele dia, o homem saiu cedo com as pedras nas mãos. Mas, ao chegar ao alto da colina, encontrou apenas o vazio. Então percebeu algo estranho: não sabia o que fazer. As mãos continuavam carregadas de pedras, mas já não havia alvo. Pela primeira vez em muitos anos, ele ouviu o próprio silêncio. E o silêncio pesava mais do que as pedras. Foi naquele instante que compreendeu: durante todo aquele tempo, acreditava estar ocupando seus dias combatendo a árvore, quando, na verdade, era a rivalidade que ocupava sua própria vida. Sem a árvore, restou apenas ele diante de si mesmo. E talvez tenha sido esse o início de sua verdadeira mudança. Moral da história: Quem vive apenas para atirar pedras corre o risco de esquecer o que construir com as próprias mãos. — Elaine Castelo Branco
ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 12/05/2026
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