

Pinguim Sem Freio chegou à banca de tacacá e encontrou cinco pessoas na fila. Cinco. Uma fila perfeitamente normal. Mas ele olhou para aquilo como quem avista uma invasão estrangeira. — Hoje vou passar a manhã inteira aqui. A senhora à sua frente olhou para trás. — Meu filho, são só cinco pessoas. — Só cinco? A senhora é muito otimista. A fila começou a andar. Um atendido. Dois atendidos. Três atendidos. Mas Pinguim continuava calculando cenários catastróficos. — Vai acabar o jambu. — Não vai. — Vai acabar o camarão. — Também não vai. — Então vai faltar cuia. A senhora suspirou. Quando chegou sua vez, a tacacazeira perguntou: — O de sempre? — O de sempre. Menos de um minuto depois, ele estava sentado, saboreando o tacacá. A senhora passou por ele sorrindo. — E então? Acabou o mundo? Pinguim tomou uma colherada de caldo quente. Pensou um pouco. — Ainda não. — Eu imaginei. Ela foi embora. Pinguim ficou olhando o movimento da praça. Foi quando percebeu que passara mais tempo sofrendo pelo que imaginava do que esperando de verdade. O tacacá estava excelente. A manhã também. E a fila? A fila já nem existia mais. Desde então, Pinguim aprendeu uma lição importante. Muitas das filas que nos irritam existem apenas dentro da nossa cabeça. — Elaine Castelo Branco ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 10/08/2026
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