Elaine Castelo Branco

“Inspirar, servir e transformar — meu caminho, minha missão.”

Textos

Pinguim Sem Freio chegou à banca de tacacá e encontrou cinco pessoas na fila.

Cinco.

Uma fila perfeitamente normal.

Mas ele olhou para aquilo como quem avista uma invasão estrangeira.

— Hoje vou passar a manhã inteira aqui.

A senhora à sua frente olhou para trás.

— Meu filho, são só cinco pessoas.

— Só cinco? A senhora é muito otimista.

A fila começou a andar.

Um atendido.

Dois atendidos.

Três atendidos.

Mas Pinguim continuava calculando cenários catastróficos.

— Vai acabar o jambu.

— Não vai.

— Vai acabar o camarão.

— Também não vai.

— Então vai faltar cuia.

A senhora suspirou.

Quando chegou sua vez, a tacacazeira perguntou:

— O de sempre?

— O de sempre.

Menos de um minuto depois, ele estava sentado, saboreando o tacacá.

A senhora passou por ele sorrindo.

— E então? Acabou o mundo?

Pinguim tomou uma colherada de caldo quente.

Pensou um pouco.

— Ainda não.

— Eu imaginei.

Ela foi embora.

Pinguim ficou olhando o movimento da praça.

Foi quando percebeu que passara mais tempo sofrendo pelo que imaginava do que esperando de verdade.

O tacacá estava excelente.

A manhã também.

E a fila?

A fila já nem existia mais.

Desde então, Pinguim aprendeu uma lição importante.

Muitas das filas que nos irritam existem apenas dentro da nossa cabeça.

— Elaine Castelo Branco

ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 10/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras