

A CORAGEM DE SER MARÉ Não sou sempre calmaria, nem promessa de verão; há tempestades em meus dias, há ressacas no coração. Às vezes, recuo em silêncio, como quem desaprendeu a lutar; mas até no meu recolhimento existe força para voltar. Não me confundam com fraqueza quando eu escolher descansar; também pertence à natureza a maré que precisa baixar. Não devo ao mundo uma alegria fabricada para agradar, nem preciso fingir harmonia quando meu peito quer chorar. Sou feita de idas e vindas, de perguntas sem solução, de cicatrizes escondidas e de imensa reconstrução. Se ontem fui água ferida, hoje aprendo a navegar; não preciso ser contida para merecer meu lugar. E quando a última onda vier beijar a imensidão, quero ter sido, nesta vida, maré de transformação. Não por nunca ter quebrado, nem por jamais ter sentido dor, mas por ter sempre encontrado um jeito novo de ser amor. Elaine Castelo Branco- Belém Pará- Brasil 🇧🇷 ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO
Enviado por ELAINE CARVALHO CASTELO BRANCO em 24/10/2026
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